domingo, 4 de novembro de 2018

A importância da interação social na escola

Nesta semana houveram na escola duas atividades que tinham por objetivo trabalhar a afetividade entre as crianças, a Festa de Halloween e a projeção do filme Viva – A vida é uma festa. Cada uma destas atividades trabalhava um aspecto do relacionamento na escola e no convívio familiar.
A Festa do Halloween para algumas famílias é contrária as suas crenças religiosas, para outras é somente uma festa, um momento para as crianças se fantasiarem e estarem na escola de outra maneira, diferente do cotidiano escolar com seus deveres.
O filme trata da temática da ancestralidade, da morte e como é possível seguir outro modo de vida diferente do traçado pela família. Infelizmente por ser uma comunidade de vulnerabilidade social a perda é uma constante na vida das crianças, e a escola não pode se omitir deste papel, de falar da perda, da ausência, de escolhas de caminhos. Por este motivo, a temática do filme, torna-se as vésperas do feriado de finados tão pertinente.
A escola sendo um espaço social, abarca uma grande diversidade cultural, cada aluno traz no seu modo de ver o mundo os padrões culturais e as vivencias de suas famílias, a escola deste o de torna-se um espaço de acolhimento, a sala de aula o professor  muitas vezes é a figura que será o diferencial para que um aluno possa se expressar pedir ajuda. No entanto muitas vezes estes pedidos de ajuda vêm em forma de agressividades, indisciplina. Segundo Libâneo ( 2004 s.p), a escola deve ser concebida como um espaço de síntese, assumindo seu papel na construção da democracia cujo um dos objetivos seria


assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo, social e afetivo da formação. O ensino implica lidar com os sentimentos, respeitar as individualidades, compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos, a aumentar sua autoestima, sua autoconfiança, o respeito consigo mesmos.



É sob esta luz, da afetividade e da interação, que analiso esta semana. No dia da festa todas as crianças dos Anos Inicias reuniram-se para celebrar acima de tudo a amizade, e deste modo, muitas crianças que as famílias por questões religiosas em um primeiro momento questionaram o tema da festa enviaram seus filhos, não fantasiados, mas lá estavam para comemorar o estar na escola, em um espaço de respeito as diferenças. Neste dia não havia alunos do 1º ano ou do 5º haviam somente crianças, dividindo o alimento, brincando  em um aprendizado que extrapola os muros da escola e o momento da festa, ao tornar a escola como dito anteriormente um espaço de acolhimento, um local que é prazeroso de estar em que posso aprender  a somar, por exemplo, mas também aprendo a repartir o último cachorro quente.
O compartilhar a merenda muitas vezes é um primeiro passo para que uma criança se aproxime das outras, iniciando desta forma a amizade que reflete no auxilio durante a execução das tarefas. Assim como, ver seu professor fora do ambiente de sala de aula brincando, interagindo com outros professores e outras crianças estreita os laços afetivos que corroboram com o aprendizado em sala de aula, e até mesmo as orientações como portar-se na festa são vistas de forma mais suave e este aprendizado se estende para outros ambientes que a crianças frequentam.

A emoção não é uma ferramenta menos importante que o pensamento. A preocupação do professor não deve se limitar ao fato de que seus alunos pensem profundamente e assimilem a geografia, mas também que a sintam. […] as reações emocionais devem constituir o fundamento do processo educativo. (VYGOTSKY, 2003, p.121)

Assim como a festa foi um momento de aprendizado permeado de afetividade, a projeção do filme tocou em questões muito delicada para as crianças, neste dia a emoção foi expressada na conversa que se seguiu após o filme, o conversar sobre a perda, a emoção ao falar da saudade e principalmente, em ter confiança em falar de seus sentimentos estabelece em aula um clima de companheirismo e solidariedade e respeito pelo que o outro está falando. Enquanto escola sabemos que muitas vezes a sala de aula é o único lugar que eles possuem para falar de suas tristezas, deste modo, não há como negligenciarmos o lado afetivo e a importância da interação dentro do ambiente escolar.


  

Referência:
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. Ed. Mediação, 2004. 5ª edição
       VYGOTSKY, L. S. Psicologia pedagógica.Porto Alegre: Artemed, 2003

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