Nesta
semana houveram na escola duas atividades que tinham por objetivo trabalhar a
afetividade entre as crianças, a Festa de Halloween e a projeção do filme Viva
– A vida é uma festa. Cada uma destas atividades trabalhava um aspecto do
relacionamento na escola e no convívio familiar.
A
Festa do Halloween para algumas famílias é contrária as suas crenças
religiosas, para outras é somente uma festa, um momento para as crianças se
fantasiarem e estarem na escola de outra maneira, diferente do cotidiano escolar
com seus deveres.
O
filme trata da temática da ancestralidade, da morte e como é possível seguir outro
modo de vida diferente do traçado pela família. Infelizmente por ser uma
comunidade de vulnerabilidade social a perda é uma constante na vida das crianças,
e a escola não pode se omitir deste papel, de falar da perda, da ausência, de escolhas
de caminhos. Por este motivo, a temática do filme, torna-se as vésperas do
feriado de finados tão pertinente.
A escola sendo um espaço social, abarca uma
grande diversidade cultural, cada aluno traz no seu modo de ver o mundo os padrões
culturais e as vivencias de suas famílias, a escola deste o de torna-se um
espaço de acolhimento, a sala de aula o professor muitas vezes é a figura que será o
diferencial para que um aluno possa se expressar pedir ajuda. No entanto muitas
vezes estes pedidos de ajuda vêm em forma de agressividades, indisciplina.
Segundo Libâneo ( 2004 s.p), a escola deve ser concebida como um espaço de
síntese, assumindo seu papel na construção da democracia cujo um dos objetivos
seria
assegurar
a ligação entre os aspectos cognitivo, social e afetivo da formação. O ensino
implica lidar com os sentimentos, respeitar as individualidades, compreender o
mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos, a
aumentar sua autoestima, sua autoconfiança, o respeito consigo mesmos.
É sob
esta luz, da afetividade e da interação, que analiso esta semana. No dia da
festa todas as crianças dos Anos Inicias reuniram-se para celebrar acima de
tudo a amizade, e deste modo, muitas crianças que as famílias por questões
religiosas em um primeiro momento questionaram o tema da festa enviaram seus
filhos, não fantasiados, mas lá estavam para comemorar o estar na escola, em um
espaço de respeito as diferenças. Neste dia não havia alunos do 1º ano ou do 5º
haviam somente crianças, dividindo o alimento, brincando em um aprendizado que extrapola os muros da
escola e o momento da festa, ao tornar a escola como dito anteriormente um
espaço de acolhimento, um local que é prazeroso de estar em que posso
aprender a somar, por exemplo, mas
também aprendo a repartir o último cachorro quente.
O
compartilhar a merenda muitas vezes é um primeiro passo para que uma criança se
aproxime das outras, iniciando desta forma a amizade que reflete no auxilio
durante a execução das tarefas. Assim como, ver seu professor fora do ambiente
de sala de aula brincando, interagindo com outros professores e outras crianças
estreita os laços afetivos que corroboram com o aprendizado em sala de aula, e
até mesmo as orientações como portar-se na festa são vistas de forma mais suave
e este aprendizado se estende para outros ambientes que a crianças frequentam.
A
emoção não é uma ferramenta menos importante que o pensamento. A preocupação do
professor não deve se limitar ao fato de que seus alunos pensem profundamente e
assimilem a geografia, mas também que a sintam. […] as reações emocionais devem
constituir o fundamento do processo educativo. (VYGOTSKY, 2003, p.121)
Assim
como a festa foi um momento de aprendizado permeado de afetividade, a projeção
do filme tocou em questões muito delicada para as crianças, neste dia a emoção
foi expressada na conversa que se seguiu após o filme, o conversar sobre a
perda, a emoção ao falar da saudade e principalmente, em ter confiança em falar
de seus sentimentos estabelece em aula um clima de companheirismo e
solidariedade e respeito pelo que o outro está falando. Enquanto escola sabemos
que muitas vezes a sala de aula é o único lugar que eles possuem para falar de
suas tristezas, deste modo, não há como negligenciarmos o lado afetivo e a importância
da interação dentro do ambiente escolar.
Referência:
LIBÂNEO, José Carlos.
Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. Ed. Mediação, 2004. 5ª edição
VYGOTSKY, L. S. Psicologia pedagógica.Porto Alegre: Artemed, 2003
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