domingo, 5 de novembro de 2017

Dialogicidade


  No capitulo  dialogicidade, Paulo Freire fala sobre a importância da relação dialógica no universo da sala de aula, em que o professor que se considera democrático precisa vivenciar na prática a dialogicidade com seus alunos e como o contexto social que os cerca. Para Freire (2000, p. 81) “ [..] Os educadores verdadeiramente democráticos não estão  - são  dialógicos. Uma de suas tarefas substantivas em nossa sociedade é gestar um clima dialógico.”
    Freire ressalta o fato de sermos seres sociais e históricos e, portanto, em frequente aprendizado e mudanças que são impulsionadas pela curiosidade e pela percepção do nosso inacabamento, “A consciência do inacabamento torna o ser educável.” (FREIRE,2000, p.75). Neste processo de aprender e construir-se, a curiosidade, o espanto diante do que nos é apresentado seja em termo de comportamento ou de conhecimento é o fator que nos move para a busca de respostas e consequentemente a conhecer e dialogar com o objeto em questão.
   Deste modo, muitas vezes a curiosidade presente no cotidiano onde os questionamentos não possuem um maior aprofundamento podem se tornar mais desafiadores quando as buscas pelas respostas forem movidas pelo desejo de saber como o processo ocorre, quais são os fatores que estão por trás de determinada ação.
   Neste contexto encontra-se a importância do ambiente escolar e do posicionamento do professor, os questionamentos dos alunos quando vistos como mais um meio do professor colocar o seu conhecimento em detrimento ao aluno, reafirmando a sua posição enquanto autoridade e detentor do saber dentro de sala reforça uma educação bancária que reproduz o sistema social vigente, “Nesse sentido, o anti-diálogo autoritário ofende a natureza do ser humano, seu processo de conhecer contradiz a democracia.” (FREIRE,2000,p.80)
    Mas quando o professor assume uma postura junto ao seu aluno de investigador, alguém que se dispõe não somente a ensinar, mas a aprender favorecendo em aula um ambiente de diálogo, confiança e trocas sua postura refletirá não somente o seu posicionamento enquanto educador, mas como cidadão. As questões em relação ao posicionamento do professor não somente em sala de aula mas enquanto educador, colocadas por Freire, são mais atuais do que nunca, uma vez que assistimos constantemente nas mídias que os grandes responsáveis pelos baixos índices da educação são os professores e sua formação insuficiente. “[...] uma política pedagógica baseada no tratamento digno do magistério, no exercício da sua formação autêntica. Somente a partir daí será possível cobrar-lhe eficácia.” (FREIRE,2000, p. 80)
    Freire ressalta que o dialogar com o aluno não significa “tagalerices”, o dialogar implica em alimentar da curiosidade, um aprofundamento nas questões que envolvem as dúvidas mas que não encontram-se à primeira vista, existe uma necessidade de debruçar-se sobre o objeto, um desejo verdadeiro em saber como tudo se processa, o autor fala em nossa finitude e tomada de consciência disto e a  importância de estarmos sempre inquietos, questionando, nos apropriando de novos saberes, posicionando nos  com propriedade frente as questões sociais  no intuito de modificar as estruturas sociais vigentes.


Referência : FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo: Ed. Olho dagua, 2000.
  
   
    

Nenhum comentário:

Postar um comentário