No capitulo dialogicidade, Paulo
Freire fala sobre a importância da relação dialógica no universo da sala de
aula, em que o professor que se considera democrático precisa vivenciar na
prática a dialogicidade com seus alunos e como o contexto social que os cerca.
Para Freire (2000, p. 81) “ [..] Os educadores verdadeiramente democráticos não
estão - são dialógicos. Uma de suas tarefas substantivas
em nossa sociedade é gestar um clima dialógico.”
Freire
ressalta o fato de sermos seres sociais e históricos e, portanto, em frequente
aprendizado e mudanças que são impulsionadas pela curiosidade e pela percepção
do nosso inacabamento, “A consciência do inacabamento torna o ser educável.”
(FREIRE,2000, p.75). Neste processo de aprender e construir-se, a curiosidade,
o espanto diante do que nos é apresentado seja em termo de comportamento ou de
conhecimento é o fator que nos move para a busca de respostas e consequentemente
a conhecer e dialogar com o objeto em questão.
Deste modo, muitas vezes a curiosidade
presente no cotidiano onde os questionamentos não possuem um maior
aprofundamento podem se tornar mais desafiadores quando as buscas pelas
respostas forem movidas pelo desejo de saber como o processo ocorre, quais são
os fatores que estão por trás de determinada ação.
Neste contexto encontra-se a importância do
ambiente escolar e do posicionamento do professor, os questionamentos dos
alunos quando vistos como mais um meio do professor colocar o seu conhecimento
em detrimento ao aluno, reafirmando a sua posição enquanto autoridade e
detentor do saber dentro de sala reforça uma educação bancária que reproduz o
sistema social vigente, “Nesse sentido, o anti-diálogo autoritário ofende a
natureza do ser humano, seu processo de conhecer contradiz a democracia.” (FREIRE,2000,p.80)
Mas quando o professor assume uma postura
junto ao seu aluno de investigador, alguém que se dispõe não somente a ensinar,
mas a aprender favorecendo em aula um ambiente de diálogo, confiança e trocas
sua postura refletirá não somente o seu posicionamento enquanto educador, mas
como cidadão. As questões em relação ao posicionamento do professor não somente
em sala de aula mas enquanto educador, colocadas por Freire, são mais atuais do
que nunca, uma vez que assistimos constantemente nas mídias que os grandes
responsáveis pelos baixos índices da educação são os professores e sua formação
insuficiente. “[...] uma política pedagógica baseada no tratamento digno do
magistério, no exercício da sua formação autêntica. Somente a partir daí será
possível cobrar-lhe eficácia.” (FREIRE,2000, p. 80)
Freire ressalta que o dialogar com o aluno
não significa “tagalerices”, o dialogar implica em alimentar da curiosidade, um
aprofundamento nas questões que envolvem as dúvidas mas que não encontram-se à
primeira vista, existe uma necessidade de debruçar-se sobre o objeto, um desejo
verdadeiro em saber como tudo se processa, o autor fala em nossa finitude e
tomada de consciência disto e a importância
de estarmos sempre inquietos, questionando, nos apropriando de novos saberes,
posicionando nos com propriedade frente
as questões sociais no intuito de
modificar as estruturas sociais vigentes.
Referência : FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. São Paulo: Ed. Olho dagua, 2000.
Nenhum comentário:
Postar um comentário