domingo, 2 de dezembro de 2018

A importância do brincar na escola


Enquanto educadora sempre considerei que  o brincar, o lúdico, são muito importante não somente para o estreitamento e fortalecimento dos laços afetivos entre o  professor e seus alunos como também no relacionamento entre as crianças, no entanto, a importância do lúdico dentro da escola  por muito é considerado desnecessário, ou  deve estar presente em a Educação Infantil  no máximo no 1º ano, após esta etapa da escolaridade o lúdico deve se colocado em segundo plano. Deste modo minha terceira postagem revisitada trata do brincar na escola. 

A postagem revisitada fala do brincar na escola mas aborda principalmente a questão do jogo como um facilitador da aprendizagem assim como da interação social entre as crianças, e neste contexto, percebo que o  jogo e brincadeira eles são aceitos no contexto escolar, mas  a brincadeira, o brincar fora do contexto da Educação Física ou com um claro cunho pedagógico ainda são entendidos como um meio de passar um tempo fora da sala de aula.


Se brinquedos são sempre suportes de brincadeiras, sua utilização deveria criar momentos lúdicos de livre exploração, nos quais prevalece a incerteza do ato e não se buscam resultados. Porém, se os mesmos objetos servem como auxiliar da ação docente busca-se resultados em relação à aprendizagem de conceitos e noções, ao desenvolvimento de algumas habilidades. Nesse caso, o objeto conhecido como brinquedo não realiza sua função lúdica, deixa de ser brinquedo para tornar-se material pedagógico. Um mesmo objeto pode adquirir dois sentidos conforme o contexto em que se utiliza: brinquedo ou material pedagógico (KISHIMOTO, 1993, p.15)


O brincar que me refiro, é o se permitir brincar com as crianças propiciar momentos em que as crianças possam brincar, interagir entre elas e com o professor e com as pessoas que fazem parte do seu cotidiano escolar. Neste sentido Wajskop afirma


 a brincadeira é uma situação privilegiada de aprendizagem infantil onde o desenvolvimento pode alcançar níveis mais complexos, exatamente pela possibilidade de interação entre os pares em uma situação imaginária e pela negociação. (WAJSKOP 2005, p. 35)



Durante esta semana em dois momentos este brincar com meus alunos foi visto como, um passar de tempo. E que percebo foi uma mudança em minha postura, algum tempo atrás ficaria constrangida pelos comentários, mas atualmente posso responder não somente através de argumentos teóricos como apontar a diferença que estes momentos fizeram e fazem na minha turma.

As crianças da escola vivem em um bairro de vulnerabilidade social, por este motivo muitos são privados de descerem, devido a violência ficando confinados em seus apartamentos e deste modo são privados do brincar na rua, de trocar com seus pares conhecimentos adquiridos através das brincadeiras. Outros não são poupados pelos pais de situações conflituosas que ainda não tem maturidade para compreender, e deste modo, em muitos casos é na escola que refletem suas dores e angustias.


 O brinquedo fornece ampla estrutura básica para mudança das necessidades e da consciência. A ação na esfera imaginativa, a criação das intenções voluntárias e a formação dos planos da vida real e motivações volitivas, tudo aparece no brinquedo [...] A criança desenvolve-se, essencialmente, através do brinquedo. (VYGOTSKY 1991, p. 117)


Este expressar muitas vezes se traduzem em atitudes consideradas indisciplinadas ou em quietudes que não são próprias de crianças pequenas e é através do brincar que estes conflitos se revelam, auxiliando o professor a trabalhar e principalmente acolher este aluno.

Referência:


KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira, 1993.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

WAJSKOP, G. Brincar na pré-escola. São Paulo: Cortez, 2005.






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