domingo, 19 de junho de 2016

No lugar do outro

   As últimas atividades de Libras,foram para mim muito provocativas. Em dois filmes Sou surda e não sabia e E se o mundo fosse surdo,  foram colocadas questões que me fizeram olhar o mundo pela ótica dos surdos,e esta foi a primeira mudança,até então pensava que seria correto falar deficientes auditivos e que o termo surdo fosse pejorativo e até mesmo ofensivo.No entanto, o que pude observar que não é termo que é ofensivo e sim a maneira que a comunidade surda é tratada pela sociedade,onde um direito tão básico quanto o de ter reconhecida  sua própria língua,Libras,longe de ser excludente é uma forma de identificar-se enquanto surdo.
    Dos dois filmes mencionados a  sinceridade do filme Sou surda e não sabia é tocante, ao longo do filme Sandrine coloca toda a sua trajetória  até construir sua identidade enquanto surda,fala do distanciamento dos pais, as dificuldades enfrentadas em uma escola regular. E neste ponto foi impossível não fazer relações com minha experiência em sala de aula.Nunca tive um aluno surdo,mas a estranheza que Sandrine sentia em meio a ouvintes imagino que seja bem próxima do sentimento que um aluno que possui dificuldades de aprendizagem sente ao ver que todos estão avançando no seu processo,e ele, ainda olha para as atividades e não vê sentido nelas. 
    Salvo as devidas proporções ainda estamos longe de poder atender com qualidade o aluno que não se encaixa no padrão que é considerado normal pela sociedade. Não temos apoio para trabalhar não somente com crianças surdas,mas também com crianças com TDH e portadoras de outras necessidades.
   Legislações existem para amparar não somente as crianças,mas também para garantir que os educadores possam desempenhar plenamente sua função. Infelizmente até o momento parece que estas leis ficaram em sua grande maioria no papel, sua aplicabilidade esbarra na vontade política que se esconde atrás do  velho discurso da falta de verba. 
   Enquanto as leis não saem do papel,vamos  fazendo o que podemos em nossas salas de aula,traçando estratégias,estudando,enfim, buscando uma forma de fazer com que nosso aluno se sinta pertencente não somente a sala de aula ,mas a sociedade como um todo. 

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